terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Literatura de Banheiro IX - Sandman

Sandman: Fábulas e Reflexões.

De todos os Perpétuos, sem sombra de dúvidas que a Morte é a minha favorita. Sonho vem logo em seguida, acompanhado muito de perto por Delírio. Foi uma jogada de mestre apresentar a Morte como uma garota alto astral, apesar da aparência gótica, que em nada a remete ao Ceifador habitual. Em contrapartida, o Rei do Sonhar é vago, quase depressivo. Delírio é divertida. Na minha opinião, talvez ela seja a mais "pé-no-chão" dos Sete, por mais desastroso que seja tentar acompanhar uma conversa com ela.

Fábulas e Reflexões reune diversos contos, não interligados entre si, exceto que todos tratam sobre os sonhos e seus resultados. Entre essas histórias, existem duas que me chamaram a atenção: "Termidor" e "Parlamento das Gralhas". Termidor porque a personagem apresentada neste conto é Joanne Constantine. E não, o nome não é mera coincidência, trata-se realmente de um antepassado de John Constantine. E "Parlamento das Gralhas" por um trecho em particular.

O bebê Daniel, em seu sono, visita o Sonhar, sendo recepcionado por Mathew e Eva. Eles o levam até a casa de Abel, a Casa dos Segredos. Com a chegada de Caim, da Casa dos Mistérios, os três resolvem, impelidos por Caim, a contar histórias para Daniel. Eva conta sobre as esposas anteriores de Adão: Lilith, a primeira esposa, que por ser dominadora e forte, acabou sendo banida do Paraíso; a Inominada que, por ter sido vista por Adão desde o princípio de sua criação (ossos, músculos e pele), foi rejeitada pelo Primeiro Homem - não se sabe se foi destruída ou autorizada a deixar o Paraíso; e finalmente Eva, a mais velha das mulheres. Caim conta um Segredo sobre as gralhas, explicando que, quando estas aves se reunem e pousam em campos, sempre deixam um espaço no centro, em que uma gralha sozinha pousa. Esta gralha solitária inicia seu grasnado e, ao final dele, ou a gralha é deixada em paz, ou é atacada por todas as outras gralhas (Abel explica mais tarde que a gralha ao centro é uma contadora de histórias e que, ao final de seu conto, descobre se suas companheiras gostaram ou não da história apresentada); e Abel conta a sua versão para o Primeiro Assassinato, e como ele e seu irmão vieram parar no Sonhar. Acho que essa é a parte mais curiosa da fábula, pois, na visão apresentada por Abel, Morte e Sonho são apresentados como crianças e todos os personagens são desenhados como mini-dolls. O Sonho, como mini-doll, até que ficou engraçadinho e animado, quase esquecemos de sua falta de emoções.

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