Sue Dibny.
Há alguns dias que eu estou pensando neste nome. Consequentemente, me questionei qual era o nome do marido dela. John Dibny? George Dibny? Não. Era algo mais sonoro, gostoso de se falar. Como Sue Dibny, o nome dele enchia a boca ao ser pronunciado, e escorria pela língua como um veludo, com a diferença de que eu não teria que sair à caça de pelinhos de tecido depois. Perguntei ao
Pedro, minha fonte de informações mais confiável.
- Amor... Como era mesmo o nome do marido da Sue?
- ... Sue? - ele me devolveu, com aquela cara de que deveria estar lembrando de alguém de quem não se recordava no momento.
- Sim, Sue Dibny. Qual era o nome "Dibny" do marido dela?
Veja isso, eu, tratando um personagem para lá de secundário como um velho conhecido. E o mais interessante, eu só o conheci em um único arco de histórias e nunca mais, nem antes, nem depois. "Ralph", ele respondeu. "Ralph Dibny".
Não foi de estranhar que hoje, sendo tomada por uma das necessidades que comprovam a minha condição deplorável de "ser humano", ele tenha me alcançado algumas revistas, entre elas, "
Crise de Identidade", a tal história em que conheci o Homem-Elástico.
Essa é uma história bem nos moldes que me fazem amar os comics. Embora a folha de rosto centralize a "trindade", esta não é uma história sobre o Superman, a Mulher Maravilha ou o Batman. Mas sobre as famílias daqueles que escolheram proteger a humanidade. Poético, não? Esse arco de histórias sempre me faz parar e pensar. Creio que eu fique um pouco nostálgica. Foi exatamente a capa da edição brasileira dela que me chamou a atenção, há tempos atrás. Um fundo branco e alguns dos elementos característicos de alguns dos membros da Liga da Justiça: as capas do Batman e Superman, os trajes do Flash e Eléktron, as asas do
Gavião Negro e a aljava do
Arqueiro Verde. Pareceu tão solitário e mórbido que me obrigou a questionar que tipo de história estaria a altura daquela capa. A propaganda foi tão boa que resolvi sentar no chão ali mesmo e ler o conjuto das sete edições.
Algo nas histórias de perdas mexe comigo. Histórias de amor, nem tanto, mas a maestria usada para narrar o Ralph contando sobre como conheceu a Sue, e vê-la morta de uma forma tão doentia algumas páginas além, me deu um choque. Ver o ódio estampado no rosto do Homem-Elástico ao declarar guerra ao Doutor Luz e o misto de pesar e apreensão de seus companheiros, já deixou mais do que claro o nível da história que estava por vir. E quem ficou em cena não foi a trindade. Foi o Arqueiro Verde, o Gavião Negro, a Canário Negro, Zatanna, e no centro, o Homem-Elástico. A maior parte da história acaba centrada do Homem-Elástico. E o que ele tem de mais? Ele estica e é um ótimo detetive. Não mais do que o Batman, mas bom o suficiente para estar na Liga.
E não acaba na Sue. Jean Loring, ex-mulher de Ray Palmer, o
Eléktron, também é atacada, mas sobrevive. E a segunda perda drástica da história, Jack Drake, pai de
Tim Drake, o Robin.
Foi, e continua sendo algo fascinante ver a expressão de desespero do Batman ao tentar retornar com o Robin para a casa de seu pai, enquanto ambos escutam pelo comunicador e despedida de Jack e o desejo de que o filho continue bem, embora ele se vá. A frase murmurada pelo homem-morcego ("Não, nao de novo") é mais do que suficiente para desvendar a dor que ele mesmo está sentindo ao rever a morte de seus pais na situação de Tim.
Além disso, quase me dói assumir, mas amei a introdução apresentada por Joss Whedon. Não pelo Joss em si, mas porque Buffy passou muito tempo como a série-que-jamais-verei. Algo no meu senso "
Masqueradiano" me dizia para não ousar aceitar Buffy como referência de verdades vampíricas. Digamos que Vampiro: A Máscara foi o primeiro RPG que eu joguei, e a desculpa perfeita para manter o Pedro mais perto de mim antes de começarmos a namorar. Aceitar Buffy (e, consequentemente, Joss Whedon) era negar a minha paixão. Idiota? Não, apenas tolamente romântico.
E se não fosse suficiente, toda a sequência das capas e explicações das cenas apresentadas, em conjunto com o historyboard, só tornaram as coisas mais interessantes.
Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma história para se ler e se reler algumas várias vezes.