terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Vaca Mecânica

Quando eu era pequena, bem pequena (muito mais do que agora... >.<), minha mãe coordenava uma creche. Se bem me recordo, uma vez por semana ela ia até uma secretaria municipal (não lembro qual era, mas sei que ficava aos fundos de um prédio, o pátio todo de terra e pedregulho batido. A "casa" em si tinha paredes brancas e acho que as molduras de portas e janelas azuis. Lá dentro minha mãe buscava dezenas de saquinhos de leite de soja saborizado: baunilha, morango e chocolate.

Há de se convir que a noção temporal de uma criança é bastante deturpada. Tudo é lento demais quando se tem interesses diversos. O tempo que a minha mãe precisava para recolher o leite e preencher protocolos, talvez não passasse de 15 minutos, mas acho que, depois de tanto tempo, nem ela mesma se recorde.

Quando questionei, na época, de onde ela tirava todo aquele leite, ela respondeu com calma: "Da vaca mecânica." Tudo passou a fazer sentido a partir de então: se era a vaca que fornecia o leite, certamente que ela deveria ser ordenhada, e isso levava tempo. Afinal, imagine encher cada um daqueles saquinhos com leite vindo direto da vaca?

Mas não parou por aí. Quando finalmente percebi o nome da vaca (vaca mecânica), cheguei a duas conclusões: tratava-se de uma vaca holandesa prateada com manchas pretas, e cada uma de suas tetas tinha um sabor de leite diferente.

Pedi desesperadamente que minha mãe me deixasse entrar junto. Eu TINHA que ver a vaca mecânica com meus próprios olhos. Era um ser maravilhoso e devia ser apreciado. Minha mãe me avisou, disse que seria demorado e chato. Não dei bola, era imprescindível conhecer a vaca mecânica.

Finalmente ela acabou me levando com ela pra ver a tal vaca. Que decepção. A tal vaca nada mais era do que um trambolho de inox que enchia uma tripa infindável de plástico e cortava o mesmo, selando o leite dentro dele.

Nunca mais quis ver a vaca mecânica.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Presente de Natal (mais um)

Quando eu decidi colocar um piercing, quase um ano e meio atrás, eu tinha escolhido um piercing que havia me interessado. Era uma florzinha de strass azul com trêz fiozinhos pendurados. Eu tinha realmente me apaixonado pela peça, e fiquei realmente desapontada em saber que eu teria que ficar de 6 a 12 meses com uma banana simples.

Acabei me antecipando e, como não encontrava mais o site em questão, acabei comprando um no centro mesmo, mais ou menos parecido com o que eu queria. Infelizmente isso resultou em uma dolorida limpeza, uma vez que o buraco não estava completamente cicatrizado. Acabei voltando à bananinha tradicional por mais 6 meses.

Algumas semanas atrás eu resolvi comprar outro, com a sequência de uma estrelinha, uma borboleta e uma flor de strauss. Felizmente, considerando que agora já estou com o buraco do piercing cicatrizado, não houve problema alguma com a peça nova. Ainda assim, revendo fotos e imagens antigas salvas no PC, reencontrei o tal piercing que me motivou a furar o umbigo. Corri para o Google e fui ver se reencontrava o site. Bingo! Lá estava ele, azul, reluzente... E em falta ¬¬".

Que seja. Não pode ser a única loja de piercings na internet inteira, então, procurei mais. Na terceira loja não encontrei a peça em particular, mas sim uma nova peça, tão adorável quanto a primeira. A peça acima, com sorte, chega na sexta-feira, mas acho que vem só na terça da outra semana. Mas não faz mal... Ali ele está na cor rosa, mas o meu deve vir em azul >.<

sábado, 20 de dezembro de 2008

TPM através da visão masculina

Segundo a visão masculina, dividiu-se a TPM em 4 fases principais:

Fase 1 - a Fase Meiguinha

Tudo começa quando a mulher começa a ficar dengosa, grudentinha. Bom sinal? Talvez, se não fosse mais do que o normal. Ela te abraça do nada, fala com aquela vozinha de criança e com todas as palavras no diminutivo. A fase começa chegar ao fim quando ela diz que está com uma vontade absurda de comer chocolate. O que se segue, é uma mudança sutil desse comportamento, aparentemente inofensivo, para um temperamento um pouco mais depressivo.

Fase 2 - a Fase Sensível

Ela passa a se emocionar com qualquer coisa, desde uma pequena rachadura em forma de gatinho no azulejo em frente à privada, até uma reprise de um documentário sobre a vida e a morte trágica de Lady Di. Esse estágio atinge um nível crítico com uma pergunta que assombra todos os homens, desde os inexperientes até os mais escolados como o meu pai: "Você acha que eu estou gorda?" Notem que não é uma simples pergunta retórica. Reparem na entonação, na escolha das palavras. O uso simples do verbo "estou" ao invés da combinação "estou ficando", torna o efeito da pergunta muito mais explosiva do que possamos imaginar. E essa pergunta, meus amigos, é só o começo da pior fase da TPM. Essa pergunta é a linha divisória entre essa fase sensível da mulher para uma fase mais irascível.

Fase 3 - a Fase Explosiva

Meus amigos, essa é a fase mais perigosa da TPM. Há relatos de mulheres que cometeram verdadeiros genocídios nessa fase. Desconfio até que várias limpezas étnicas tenham sido comandadas por mulheres na TPM. Exagero à parte, realmente essa é a pior fase do ciclo tepeêmico. Você chega na casa dela, ela está de pijama, pantufas e descabelada. A cara não é das melhores quando ela te dá um beijo bem rápido, seco. Depois de alguns minutos de silêncio total da parte dela, você percebe que ela está assistindo aquele canal japonês que nem ela nem você sabem o nome. Parece ser uma novela ambientada na era feudal. Sem legendas... Então, meio sem graça, sem saber se fez alguma coisa errada, você faz aquela famosa pergunta: "Tá tudo bem?" A resposta é um simples e seca: "Tá" sem olhar na sua cara. Não satisfeito, você emenda um "Tem certeza?", que é respondido mais friamente com um rosnado baixo e cavernoso "teenhoo...". Aí, como somos legais e percebemos que ela não tá muito a fim de papo,deixamos quieto e passamos a tentar acompanhar o que Tanaka está tramando para tentar tirar Kazuke de Joshiro, o galã da novela que...
* Merda, viu!? - ela rosna de repente.
* Que foi?
A Fase Explosiva acaba de atingir o seu ápice com essa pergunta. Sem querer, acabamos de puxar o gatilho. O que se segue são esporros do tipo:

"Você não liga pra mim! Tá vendo que eu to aqui quase chorando e você nem pergunta o que eu tenho! Mas claro! Você só sabe falar de você mesmo! Ah, o seu dia foi uma merda? O meu também! E nem por isso eu fico aqui me lamuriando com você! E pára de me olhar com essa cara! Essa que você faz, e você sabe que me irrita! Você não sabe! Aquele vestido que você me deu ficou apertado! Aaaai, eu fico looooouca quando essas coisas me acontecem! Você também, não quis ir comigo no shopping trocar essa merda! O pior de tudo é que hoje, quando estava indo para o trabalho, um motoqueiro mexeu comigo e você não fez nada! Pra que serve esse seu Jiu Jitsu? Ah, você não estava comigo? Por que não estava comigo na hora? Tava com alguma vagabunda? Aquela sua colega de trabalho, só pode ser ela. E nem pra me trazer uma porra de um chocolate! Cala sua boca! Sua voz me irrita! Aliás, vai embora antes que eu faça alguma besteira. Some da minha frente!"

Desnorteado, você pede o pinico e vai embora. Tenta dar um beijinho de boa noite e quase leva uma mordida.

Fase 4 - a Fase da Cólica

No dia seguinte o telefone toca. É ela, com uma voz chorosa, dizendo que está com uma cólica absurda, de não conseguir nem andar. Você vai à casa dela e ela te recebe dócil, superamável. Faz uma cara de coitada, como se nada tivesse acontecido na noite anterior, e te pede pra ir à farmácia comprar um Atroveran, Ponstan ou Buscopan pra acabar com a dor dela. Você sai pra comprar o remédio meio aliviado, meio desconfiado. "O que aconteceu?", você se pergunta. "Tudo bem.", Você pensa. "Acho que ela se livrou do encosto.", Pronto! A paz reina novamente. A cólica dobra a fera (literalmente) e vocês voltam a ser um casal feliz. Pelo menos até daqui a 20 dias...

O Refém do Hormônio sabe que existem dias do mês em que basta um homem abrir a boca para ficar com sua vida por um fio... para ter seu lindo dia transformado em um dos dias mais miseráveis de sua vida! Esse é um guia útil que deveria ser tão comum quanto a carteira de motorista na carteira de todos os maridos, namorados, amantes ou similares!

PERIGOSO: O que tem pro jantar?
SEGURO: Posso te ajudar com o jantar?
SEGURÍSSIMO: Onde você quer ir pra jantar?
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Você vai vestindo ISSO?
SEGURO: Nossa, você fica bem de marrom.
SEGURÍSSIMO: Uau! Tá uma gata!
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Tá nervosa por quê?
SEGURO: Será que não estamos exagerando?
SEGURÍSSIMO: Toma 100 reais.
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Será que você devia comer isso?
SEGURO: Sabe, ainda tem bastante maçã.
SEGURÍSSIMO: Quer um copo de vinho pra acompanhar?
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: O que você fez o dia todo?
SEGURO: Espero que você não tenha trabalhado demais hoje.
SEGURÍSSIMO: Adoro quando você usa esse robe!
ULTRA-SEGURO: Come mais um pouco de chocolate.
e mais um extra...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Literatura de Banheiro IX - Sandman

Sandman: Fábulas e Reflexões.

De todos os Perpétuos, sem sombra de dúvidas que a Morte é a minha favorita. Sonho vem logo em seguida, acompanhado muito de perto por Delírio. Foi uma jogada de mestre apresentar a Morte como uma garota alto astral, apesar da aparência gótica, que em nada a remete ao Ceifador habitual. Em contrapartida, o Rei do Sonhar é vago, quase depressivo. Delírio é divertida. Na minha opinião, talvez ela seja a mais "pé-no-chão" dos Sete, por mais desastroso que seja tentar acompanhar uma conversa com ela.

Fábulas e Reflexões reune diversos contos, não interligados entre si, exceto que todos tratam sobre os sonhos e seus resultados. Entre essas histórias, existem duas que me chamaram a atenção: "Termidor" e "Parlamento das Gralhas". Termidor porque a personagem apresentada neste conto é Joanne Constantine. E não, o nome não é mera coincidência, trata-se realmente de um antepassado de John Constantine. E "Parlamento das Gralhas" por um trecho em particular.

O bebê Daniel, em seu sono, visita o Sonhar, sendo recepcionado por Mathew e Eva. Eles o levam até a casa de Abel, a Casa dos Segredos. Com a chegada de Caim, da Casa dos Mistérios, os três resolvem, impelidos por Caim, a contar histórias para Daniel. Eva conta sobre as esposas anteriores de Adão: Lilith, a primeira esposa, que por ser dominadora e forte, acabou sendo banida do Paraíso; a Inominada que, por ter sido vista por Adão desde o princípio de sua criação (ossos, músculos e pele), foi rejeitada pelo Primeiro Homem - não se sabe se foi destruída ou autorizada a deixar o Paraíso; e finalmente Eva, a mais velha das mulheres. Caim conta um Segredo sobre as gralhas, explicando que, quando estas aves se reunem e pousam em campos, sempre deixam um espaço no centro, em que uma gralha sozinha pousa. Esta gralha solitária inicia seu grasnado e, ao final dele, ou a gralha é deixada em paz, ou é atacada por todas as outras gralhas (Abel explica mais tarde que a gralha ao centro é uma contadora de histórias e que, ao final de seu conto, descobre se suas companheiras gostaram ou não da história apresentada); e Abel conta a sua versão para o Primeiro Assassinato, e como ele e seu irmão vieram parar no Sonhar. Acho que essa é a parte mais curiosa da fábula, pois, na visão apresentada por Abel, Morte e Sonho são apresentados como crianças e todos os personagens são desenhados como mini-dolls. O Sonho, como mini-doll, até que ficou engraçadinho e animado, quase esquecemos de sua falta de emoções.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Literatura de Banheiro VIII - Love Junkies

A primeira vez que ouvi falar de Love Junkies foi com o Paulo, há alguns anos atrás. Meu primeiro pensamento foi "Começaram as cópias de Love Hina... Great!" Meu segundo pensamento foi acompanhado de um muxoxo e uma careta "Começaram as versões hentai de Love Hina".

Algum tempo depois, ainda não questionei qual a razão, o Pedro se interessou pelo mangá. Comprou as primeiras edições, gostou e acabou colecionando toda a série até o momento. Ele tentou me convencer a ler anteriormente, mas as capas não me chamaram a atenção (oh sim, é curioso, mas muito do meu interesse na leitura vai da capa e da resenha apresentados... tolo, confesso).

Entretanto, sei la por qual motivo, domingo me peguei lendo algumas edições que estavam no braço do sofá. De início, realmente fez juz ao que eu imaginei: um mangá sobre relacionamentos, algo um tanto típico da cultura japonesa atual. E hoje, também achei interessante a idéia de continuar lendo alguns exemplares que ficaram no banheiro. Certo... Melhor do que eu esperava.

Trama por trama, o negócio está mais para novela mexicana. Namora com A, trai A com B, encontra C, que é uma ex-namorada. A descobre um rapaz D muito interessante e trai o personagem principal P. E por aí vai. Mas é divertido ver o desenvolvimento das personalidades em reação a mudança de ambiente, além de que o traço é uma gracinha! É possível/provável que eu acabe lendo toda a série...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Evento russo de cosplay de Lineage 2

Há algum tempo atrás o Luiz me mandou o link do vídeo abaixo. Está em russo, e, particularmente, eu não entendi absolutamente nada, exceto por parte do final... Mas vendo um comentário relativamente recente (em consideração a "quando" vi o vídeo pela primeira vez, claro), ficou explicado o motivo do som de erro do Windows... Acho que o que eu tinha imaginado no início era mais engraçado (e talvez real, considerando os crashs frequentes que acompanhamos nos servidores...), mas a mãe desligando o computador do filho também é válido - acho.


E o Final Fantasy vai para o mini...

Com a quase ida do meu desk para a casa da minha mãe, estou começando o processo de transferência de arquivos e instalação de programas e jogos no mini. Hoje está sendo a vez do Final Fantasy XI.

Quer dizer, comecei ontem, no final da tarde, mas o arquivo cab1.cab estava corrompido e tive que começar tudo de novo. Depois disso, tive que atualizar o PlayOnline, o que até foi rápido. Mas quando chegou na hora de atualizar o próprio Final Fantasy XI, a coisa ficou punk. Tipo, sério, eu comecei a atualização no final de "ontem", já é "hoje" e o sistema ainda acusa 10:53hrs para que a atualização se complete... O que posso dizer? O launcher é otimista...

sábado, 13 de dezembro de 2008

It's a kind of magic...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Final Fantasy XI

Ou: Como acabei jogando FFXI

Eu fiquei levemente incapacitada, hum? Quero dizer, estou com todas as minhas capacidades mentais - dentro da medida do possível - mas, por motivos maiores, não posso sentar. Bem, posso, mas dói ¬¬"

Como tudo o que eu posso fazer de mais confortável envolve deitar ou ficar de pé, e nenhuma delas pode envolver esforço, minhas opções se restrigem a dormir, ler e notebook. "Ok", eu pensei, "assim que os analgésicos fizerem efeito, eu vou dormir, mas enquanto isso, vou aproveitar para jogar Line".

Abri o jogo, loguei o meu char e preparei ele para ficar upando (sim, existe uma certa diversão mórbida em ver o jogo "jogar-se" sozinho...) e veio a mensagem: "O servidor será derrubado em 30 minutos." Alguma manutenção de emergência, sei lá. Tudo bem, fazia algum tempo que eu queria conhecer outros servidores, resolvi fazer a Mazikeen no Phenix: uma "orca" futura Warlord, companheira de party do Fofinho, a ervilha super-desenvolvida que o Pedro quer transformar em Destroyer. E então, novamente a mensagem: "O servidor será derrubado em 30 minutos." Algo deixou de fazer sentido e o Pedro foi ver o que realmente estava acontecendo.

"É a manutenção semanal", ele disse.

Me pareceu um tanto quanto fora do horário, mas como eu nunca estive logada durante uma manutenção dessas, não sou a melhor fonte de informação.

"Bem, e o que vou fazer agora?"
"Posso criar uma conta do Final Fantasy XI pra você", o Pedro disse. De qualquer forma, como eu não teria jogo nenhum pelas próximas duas horas, era válido tentar.

Como dizer... O gráfico é bonito, a engine simples e prática... Bem, se você estiver sentado, ou tiver um controle de vídeo-game a mão. Nenhuma das opções estava disponível no meu caso, então foi um inferno jogar meia hora sequer.

Mas sem problemas. Assim que eu puder sentar de novo, voltarei a testar o jogo, nem que seja só pra fazer companhia para o Pedro ;)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Tailgating

Tailgate. O termo vem do inglês americano, e significa "seguir de perto". Normalmente usado para uma prática desagradável no trânsito (imagino que seja o equivalente ao "pescoção" brasileiro). Quando à pé, significa seguir alguém de perto para burlar sistemas de segurança e adentrar recintos que seriam permitidos apenas com uma autenticação.

Tailgating, consequentemente, é o ato propriamente dito. E uma palavra divertida de se repetir. Tailgating. Sempre que penso ou repito essa palavra, penso em um jacaré de rabo comprido passando por uma porta. Bem, penso apenas no rabo dele se arrastando pelo chão, seguindo o corpanzil que não é mais visível por trás da porta se fechando... o.0" Insano demais? Pense: tailgating!

Onde eu trabalho, todos os acessos são por proxys (contactless cards de identificação), de forma que, se você não possuir um proxy válido, as portas não se abrirão. Segurança. E é uma das regras de segurança, passada em treinamento ao se entrar na empresa, de que o tailgating é proibido. Ainda assim, como em todo o lugar, é feito, e com frequência.

Nem sempre é feito por sacanagem. Às vezes é por pressa, outras porque esquecemos o crachá em casa (crachás provisórios não têm proxy, e deveriam ser acompanhados por alguém com proxy, mas sabe como é...), outras, até mesmo, por educação. Estamos no Brasil, mas volta e meia vemos as pessoas segurando as portas para que passemos. Seja porque a pessoa do outro lado é interessante o suficiente para que se segure a porta e se tenha mais tempo para observá-la, seja porque estamos segurando muitas coisas na mão, ou simplesmente porqueJustificar a pessoa atrás de você tropeçaria se você soltasse a porta. Tailgating.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Literatura de Banheiro VII

Sue Dibny.

Há alguns dias que eu estou pensando neste nome. Consequentemente, me questionei qual era o nome do marido dela. John Dibny? George Dibny? Não. Era algo mais sonoro, gostoso de se falar. Como Sue Dibny, o nome dele enchia a boca ao ser pronunciado, e escorria pela língua como um veludo, com a diferença de que eu não teria que sair à caça de pelinhos de tecido depois. Perguntei ao Pedro, minha fonte de informações mais confiável.

- Amor... Como era mesmo o nome do marido da Sue?
- ... Sue? - ele me devolveu, com aquela cara de que deveria estar lembrando de alguém de quem não se recordava no momento.
- Sim, Sue Dibny. Qual era o nome "Dibny" do marido dela?

Veja isso, eu, tratando um personagem para lá de secundário como um velho conhecido. E o mais interessante, eu só o conheci em um único arco de histórias e nunca mais, nem antes, nem depois. "Ralph", ele respondeu. "Ralph Dibny".

Não foi de estranhar que hoje, sendo tomada por uma das necessidades que comprovam a minha condição deplorável de "ser humano", ele tenha me alcançado algumas revistas, entre elas, "Crise de Identidade", a tal história em que conheci o Homem-Elástico.

Essa é uma história bem nos moldes que me fazem amar os comics. Embora a folha de rosto centralize a "trindade", esta não é uma história sobre o Superman, a Mulher Maravilha ou o Batman. Mas sobre as famílias daqueles que escolheram proteger a humanidade. Poético, não? Esse arco de histórias sempre me faz parar e pensar. Creio que eu fique um pouco nostálgica. Foi exatamente a capa da edição brasileira dela que me chamou a atenção, há tempos atrás. Um fundo branco e alguns dos elementos característicos de alguns dos membros da Liga da Justiça: as capas do Batman e Superman, os trajes do Flash e Eléktron, as asas do Gavião Negro e a aljava do Arqueiro Verde. Pareceu tão solitário e mórbido que me obrigou a questionar que tipo de história estaria a altura daquela capa. A propaganda foi tão boa que resolvi sentar no chão ali mesmo e ler o conjuto das sete edições.

Algo nas histórias de perdas mexe comigo. Histórias de amor, nem tanto, mas a maestria usada para narrar o Ralph contando sobre como conheceu a Sue, e vê-la morta de uma forma tão doentia algumas páginas além, me deu um choque. Ver o ódio estampado no rosto do Homem-Elástico ao declarar guerra ao Doutor Luz e o misto de pesar e apreensão de seus companheiros, já deixou mais do que claro o nível da história que estava por vir. E quem ficou em cena não foi a trindade. Foi o Arqueiro Verde, o Gavião Negro, a Canário Negro, Zatanna, e no centro, o Homem-Elástico. A maior parte da história acaba centrada do Homem-Elástico. E o que ele tem de mais? Ele estica e é um ótimo detetive. Não mais do que o Batman, mas bom o suficiente para estar na Liga.

E não acaba na Sue. Jean Loring, ex-mulher de Ray Palmer, o Eléktron, também é atacada, mas sobrevive. E a segunda perda drástica da história, Jack Drake, pai de Tim Drake, o Robin.

Foi, e continua sendo algo fascinante ver a expressão de desespero do Batman ao tentar retornar com o Robin para a casa de seu pai, enquanto ambos escutam pelo comunicador e despedida de Jack e o desejo de que o filho continue bem, embora ele se vá. A frase murmurada pelo homem-morcego ("Não, nao de novo") é mais do que suficiente para desvendar a dor que ele mesmo está sentindo ao rever a morte de seus pais na situação de Tim.

Além disso, quase me dói assumir, mas amei a introdução apresentada por Joss Whedon. Não pelo Joss em si, mas porque Buffy passou muito tempo como a série-que-jamais-verei. Algo no meu senso "Masqueradiano" me dizia para não ousar aceitar Buffy como referência de verdades vampíricas. Digamos que Vampiro: A Máscara foi o primeiro RPG que eu joguei, e a desculpa perfeita para manter o Pedro mais perto de mim antes de começarmos a namorar. Aceitar Buffy (e, consequentemente, Joss Whedon) era negar a minha paixão. Idiota? Não, apenas tolamente romântico.

E se não fosse suficiente, toda a sequência das capas e explicações das cenas apresentadas, em conjunto com o historyboard, só tornaram as coisas mais interessantes.

Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma história para se ler e se reler algumas várias vezes.