sábado, 21 de março de 2009

Pesadelos Noturnos

Ontem (ou hoje de madrugada) fiz algo que há muito não fazia: ir a uma festa.

É relativamente complicado pra mim achar um lugar interessante para se ir, dado o meu gosto musical relativamente seleto (eclético, dependendo do caso, mas pouquíssimo tolerante). No entanto, quando o Grecco me mostrou aquela banda cover de Led Zeppelin /U2/Beattles/Rolling Stones/The Police, a idéia pareceu boa. E como a NEO está morta e praticamente enterrada, e o Beco tem sérios problemas em informar o conteúdo prático de suas festas, tava valendo.

Foi a minha primeira vez no Opinião. E tenho duas coisas para dizer:

1 - A casa tem uma estrutura interessante, embora não seja bonita ou estilosa;
2 - Acho que eles podiam apresentar mais clipes e menos propagandas... Pelo menos, pelo valor de R$15,00/R$20,00.

Não tomei nada de álcool, e posso afirmar que foi a melhor coisa que poderia ter feito (não me perdoaria nunca se perdesse qualquer um dos "momentos especiais" da festa).

A verdadeira diversão começou antes da banda, ao presenciar a cena dantesca na mesa ao lado: dois dragões bancando o São Jorge de outras duas dragoas.

Os "machos alfa", óbviamente necessitados ao ponto de escolher os primeiros par de seios disponíveis para embebedar e levar pra cama, não valiam nada. Feios, desengonçados, com um papo chato e indiscutível mal gosto (em todos os sentidos).

As fêmeas, uma loira elefante e uma morena pastel, o epítome da inocência. O que elas trataram por camaradagem de seus companheiros, terminou por virar um show de horrores no momento em que as duas, para chamarem a atenção de seus companheiros, trataram de "dançar" de braços dados, dando voltinhas para um lado e para outro, dependendo para qual lado pendia sua tontura alcoólica. Ao descerem para a pista, faziam poses grotescas e gasgueteavam em busca dos flashes das máquinas do amigos que permaneceram no mezanino, tramando como iriam fazer para terminar seu "feito".

E então chegou a banda. Naquele ponto, eu já tinha me animado a levantar da cadeira e me mexer um pouco (nada nem perto de como eu ficava na NEO, mas as músicas, ainda que conhecidas e apreciadas, não chegaram a superar o meu deslocamento com o local). Nesse momento começou o segundo show de horrores.

A banda em si, os "Maquinados", tinha um sério problema de sincronia e "novatisse". O guitarra solo não aprendeu a usar seu pedal adequadamente, o baixista não dava o tempo da música, o baterista estava mais para carpinteiro e o nosso vocalista era um guitarrista wannabe, que seguiu a risca os modelos de dinâmica de palco dos anos 70. Segundo o Pedro, foi o vencedor de Air guittar de 2008, tamanha a quantidade de air kicks e firulas que inventou (e que, infelizmente, não foram capazes de nos distrair de sua performance medíocre).

Na pista, entre as fotos de "Mãe, tô no Opinião" (que me lembraram tanto da quantidade inominável de pessoas que para na escadaria do Nacional do Rua da Praia Shopping para tirar fotos como se fosse ponto turístico), algumas figurinhas curiosas. Um menino, que passaria tranquilamente pelo meu irmão (cabeludo, deslocado e fazendo headbang para qualquer tipo de som apresentado), a excelentíssima band-aid de roxo (quase podia imaginá-la segurando uma plaquinha de "I'm with the band!"), que pulava e gritava para qualquer porcaria tocada pelo pessoal no palco, a galerinha da roda punk de butique e o rapaz que dançava como se estivesse com epilepsia. Imagino que seria daquela forma que o Fankenstein dançaria, se ele fosse criado em nosso tempo.

Não bastando, em algum momento um par de botas surgiu no meio da pista, sozinho, sem os pés que deveriam tê-lo calçado. E depois, estavam sobre o palco. Finalmente, viraram item pitoresco e foram acrescentados nas fotos de "Mãe, tô no Ops". Nesse ponto, os nossos casais de dragões já estavam em pé de guerra. A morena, torta de tão bêbada, conseguiu cair no chão, batendo a cabeça e culpando seu amigo pelo tombo. A loira, alheia como sua condição oxigenada prevê, tropeçou e perdeu a própria sandália, enquanto tentava insistentemente levar a amiga para dançar na pista. Não sei quando ocorreu, mas as duas resolveram abandonar os "rapazes", que sairam apressados para garantir a foda da noite.

Nosso baterista-carpinteiro, animado como estava, arrebentou um dos tambores, fazendo com que o vocalista ensaiasse uma desculpa tosca para que a banda tivesse tempo de arranjar uma segunda peça de reposição (méo déos... como essa criatura arrebentou a bateria, eu não sei... mas no que vimos ele se perder nas batidas de Highway to Hell, não duvidei mais da sua incapacidade...).

Resolvemos ir embora enquanto eles tocavam a finaleira. Não tivemos coragem de entrar no meio da turba de saída =p

1 comentários:

GreccoTM!! disse...

ahhh mas serio, ficamos rindo a noite inteira!